Genéricos e referências

Afinal, faz diferença?


Um bolo é um bolo.
Farinha, ovos, açúcar, fermento... Os ingredientes não mudam muito.
No entanto, existem bolos sofisticados e caríssimos, que a gente só vê em casamentos. Existe o bolo da vovó, maravilhoso em sua simplicidade. Tem o bolo daquela doceria que é uma delícia e nem tão caro. E, é claro, tem o pedaço de pneu que sai do meu forno toda vez que tento fazer um bolo em casa. Remédio é igual.

O produto original, desenvolvido por pesquisadores e lançado no mercado, ganha o nome de referência. Quando eu falo que o antibiótico X cura pneumonia em 7 dias, estou dizendo que foram feitas pesquisas - com o medicamento de referência - e constatou-se que ele cura a pneumonia em 7 dias.

Teoricamente, genéricos e similares deveriam ser iguais ao produto de referência. Mas o que acontece na prática é exatamente igual ao que acontece com o bolo. Todo comprimido de sertralina, por exemplo, contém aproximadamente a mesma quantidade do mesmo composto. O que muda então?

1. A qualidade do produto.

Uma determinada indústria pesquisou e gastou 10 bilhões de dólares para produzir um novo medicamento. Só para contextualizar, o Bill Gates mal poderia produzir 7 medicações, com toda a sua fortuna. Um dia, a patente acaba... É claro que a indústria que gastou os 10 bilhões não vai sair por aí ensinando como faz a medicação. Não vai dizer para ninguém como manter a molécula estável, garantir boa absorção ou mesmo armazenar o medicamento adequadamente. Não vai dar a receita do bolo. Alguns concorrentes tentam fazer igual e acabam conseguindo. Outros querem apenas aprovar o produto e por nas prateleiras, sem se preocupar muito com o resultado final do processo. Repare que alguns medicamentos vêm revestidos em alumínio, para evitar exposição à luz. Outros têm comprimidos ou cápsulas altamente sofisticados, para só liberar a substância no local certo do tubo digestivo. Tudo isso faz diferença.

2. Fiscalização.

Infelizmente, quase não temos fiscalização sobre o que é vendido. A fiscalização sobre genéricos é melhor que sobre similares. 

3. Jeitinho.

Observando o que foi dito acima, muitas empresas optam por fabricar produtos de baixa qualidade que tenham uma alta margem de lucro mesmo quando vendidos por um terço do preço do produto original. Existem relatos de empresas que pagam comissões aos balconistas de farmácia para "empurrar" o remédio de baixa qualidade. "Esse aí é muito caro! Tem esse...", "É até mais forte que o outro!" e "O outro é só marca..." são comentários que você já ouviu na farmácia, certo?

O que fazer?

Em primeiro lugar, confie no seu médico. Tome o que ele te passou ou pergunte o que ele pensa sobre as outras opções.

Cuidado em especial com medicamentos psiquiátricos e com antibióticos: é difícil observar se estão funcionando e as consequências de um produto ruim podem ser graves.

Reputação é algo que as empresas gostam de manter. Empresas com boa reputação dificilmente lançarão um produto ruim. Pesquise no Google sobre produtos que foram suspensos pela Anvisa e você vai ter um panorama sobre quem é quem.

Pesquise o preço na internet antes de ir à farmácia. Muitos laboratórios bons dão desconto em seus produtos. Procure por programas de descontos e veja que, muitas vezes, medicamentos de boa qualidade vão sair bem mais em conta.